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Em São Paulo, evento exalta impacto financeiro da economia criativa

Ministro da Cultura, Governador do Estado de SP e especialistas preveem uma revolução econômica pautada na cultura e educação


Palestra Marcelo Tas

Ao fim da 16ª edição de Flip (Feira Literária de Paraty), o Ministério da Cultura anunciou um impacto financeiro de R$ 46,9 milhões durante a feira, que aconteceu entre os dias 25 e 29 de julho. O retorno durante o evento representa nada menos do que 13 vezes valor de seus custos, que ficaram em R$ 3,5 milhões para a organização.


O sucesso da feira literária e o potencial de retorno de investimentos em eventos culturais foram alguns dos temas abordados pelo ministro da cultura Sérgio Sá Leitão, que participou do evento ‘Futuro na Cultura’, que aconteceu nos dias 10 e 11 de agosto no Memorial da América Latina, em São Paulo.


Para o ministro, a análise quantitativa apresentada na feira constata, na prática, o potencial de geração de renda da área de economia criativa. Ele defende que a análise de programas culturais pelo ponto de vista do retorno financeiro pode representar um aumento nos investimentos em cultura no país.


“Mensurar apenas os dados qualitativos de eventos como estes dificulta as chances de aumentar o orçamento público destinados à cultura. Queremos mostrar o quanto as atividades culturais contribuem para o país não só como experiência, mas também como geração de renda”, afirmou durante a mesa ‘O Valor do Futuro’.


Alternativa econômica

Voltado ao futuro da cultura como principal pilar da economia criativa, o evento, que foi prestigiado pela equipe da NTZ, trouxe ainda nomes de destaque do cenário político, além de grandes referências da economia criativa.


Durante a mesa ‘Estratégias Internacionais de Futuro’, a diretora da Garimpo de Soluções, Ana Carla Fonseca, mediou um bate-papo com representantes dos consulados do México, Colômbia, Canadá, Países Baixos e Portugal. Na maioria destes países, já há políticas públicas de incentivo ao crescimento dos setores da economia criativa.


Também presente no evento, o governador de São Paulo Márcio França (PSB) comprovou, em números, o valor dos investimentos nos produtos culturais e de criatividade para a economia brasileira. De acordo com ele, 3% do PIB nacional já é proveniente da economia criativa.


“A cultura e o esporte são as ferramentas que mais rapidamente transformam a vida das pessoas. Não só porque oferecem uma alternativa de renda, mas também porque resgatam a autoestima”, comentou.


O governador ainda exaltou o trabalho das Etecris (Escolas Técnicas de Economia Criativa), presente em 16 cidades de São Paulo. Iniciativa do Governo do Estado, as escolas oferecem cursos técnicos em áreas valorizadas da economia criativa, como Técnicas de Design de Moda, Grafite, Food Styling, entre outros.


Educação e mídia

As novas práticas de mídia e de educação não passaram despercebidas durante o evento. O jornalista e apresentador Marcelo Tas abriu a programação oferecendo um panorama sobre a comunicação dentro do contexto das novas mídias. O comunicador citou as recentes 800 demissões do grupo Abril.


“Quem não acompanhar a evolução das mídias vai ficar de fora do mercado. Nas mídias, este movimento traz uma democratização de acesso e maneiras diferentes de se informar”, afirmou Tas, que ainda comparou a época com a revolução industrial e profetizou que “a transparência nas relações não é mais uma opção no cenário da comunicação”.


Já na educação, o evento trouxe um cenário disruptivo em relação ao modelo atual. Afinal, se o futuro pede criatividade para atuar em novas ocupações profissionais, o presente precisa contar com uma escola cujo objetivo é ensinar a pensar.


“O modelo tradicional de educação precisa urgentemente ser substituído por um conceito que una as competências cognitivas com as socioculturais. É preciso usar a criatividade para ensinar estes alunos a pensar”, explicou o presidente da Fundação Para o Desenvolvimento da Educação, Luis Sobral.



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