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O futuro pede criatividade e profissionalismo ao terceiro setor

Em uma semana de imersão, a NTZ visitou os maiores encontros sobre tendências para os negócios de impacto social; contamos um pouquinho do que rolou


Festival ABCR 2018 - Mesa Integração das ONGs com modelos de negócio de impacto (*Foto: Fanpage ABCR)

“Deixemos o pessimismo para dias melhores”. A frase da diretora do Instituto Avon, Mafoane Odara, sintetizou o espírito do que foram os três dias de capacitação e troca de experiências promovidas pelo Festival ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) em junho e que reuniu organizações do terceiro setor de diferentes regiões do país.

Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto

O evento foi um dos quais a NTZ esteve presente durante o mês. Além deste, a equipe também compareceu ao Fórum de Finanças Sociais, outra grande reunião do setor. Lá, foram apresentadas tendências e cases em áreas como meio ambiente, sustentabilidade, negócios para a periferia e soluções voltadas às minorias.

Com ambas conferências acontecendo praticamente nos mesmos dias, coube ao nosso time se dividir para não perder nenhum detalhe dos acontecimentos. Enquanto uma equipe foi ao Festival, na zona sul de São Paulo, a outra esteve em outro ponto da metrópole, na zona oeste, para acompanhar o Fórum.


Seja por meio de leis de incentivo, seja via pessoas físicas, a captação de recursos é a forma de manter vivos projetos que levam saúde, esporte, cultura e assistência social muitas vezes à população mais vulnerável. No vácuo da crise institucional que vive o Brasil, grandes, médias e pequenas organizações se deparam com os mesmos desafios: otimizar processos, adotar formas inovadoras de captação e adequar, para a realidade do terceiro setor, métodos que já funcionam no mundo corporativo.


Fora da caixa

Na certeza de que ‘nada é permanente, exceto as mudanças’ (como já preconizava o filósofo Heráclito, da Grécia Antiga), os dois eventos trouxeram provocações sobre como tais organizações se adequam ao novo mundo em que vivemos. Dentro deste contexto, foram apresentados alguns cases que mostram de que forma a criatividade, aliada a uma visão sistêmica, pode criar projetos de grande impacto social.


A carência de aplicativos de transporte que atendam ao público da periferia de São Paulo, por exemplo, fez com que um grupo de investidores sociais criassem o Ubra (União da Brasilândia). Bastou um celular com Whatsapp e um telefone fixo para ajudar moradores e gerar renda à motoristas do bairro.


Outro exemplo, o Banco da Maré, funciona como uma instituição que oferece microcréditos para clientes do Complexo da Maré, uma das maiores favelas cariocas. Sem acesso às agências bancárias, os usuários do banco são inseridos nos serviços financeiros sem análise de crédito ou consulta ao cadastro de devedores. A iniciativa, além de monetizar os moradores, ainda fomenta o comércio local.


Pensar no global, agir no regional

A ideia do regionalismo universal – apresentado em obras literárias como a de Guimarães Rosa – é inspiração também para a dinâmica das organizações que atuam no terceiro setor. Pelo que vimos tanto no Festival ABCR, quanto no Fórum de Finanças Sociais, a orientação dos especialistas é de adaptar para a realidade regional questões que estão em destaque no âmbito global.


Em uma das palestras do Festival ABCR, para citar um exemplo, os participantes foram apresentados a uma ciência que está mudando o nosso cotidiano: a análise preditiva. A definição complicada consiste em traçar padrões comportamentais que ajudam a ‘prever’ algumas escolhas. A técnica é utilizada na Netflix, por exemplo, quando, baseado no que já assistimos, sugere uma gama de novas produções que podem ser do nosso gosto.


No campo da captação de recursos, por exemplo, a ciência ajuda a cruzar o banco de dados para otimizar a etapa de contatos com possíveis doadores, ‘prevendo’ qual o grupo mais suscetível a dizer sim a uma proposta de doação. Esta ação diminui os custos operacionais e aumenta a eficácia das ações.


As redes sociais, tão presentes em nossas vidas nos últimos anos, também são importantes ferramentas para a captação de recursos às causas sociais, culturais, esportivas e de meio ambiente. De acordo com o que foi dito em ambos os eventos, o Facebook, por exemplo, é uma ferramenta muito mais poderosa do que parece para alavancar as causas.


A velocidade com que as novidades tecnológicas se apresentam devem ser acompanhadas pelos gestores do terceiro setor. As oportunidades estão nas mais diferentes plataformas. O segredo, de acordo com o que se viu nos eventos, é entender o que se passa no mundo e adequar para sua realidade. Ou, se você preferir, pensar no global e agir no regional.


Amor que não se mede

Para nós da NTZ, manter-nos atualizados sobre as tendências do terceiro setor ultrapassa os imperativos profissionais. Trata-se de reafirmar nossa paixão e nossa crença na mobilização social como fator de transformação e desenvolvimento humano.

E é nessa convicção que nos apoiamos para oferecer uma variada e qualificada gama de serviços aos clientes de diferentes segmentos. Afinal, o caminho até a sociedade igualitária que queremos passa por um exercício diário de transformação. Que tal construirmos juntos este mundo novo?



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